Simplesmente Joãozinho

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Qual a importância do título da Libertadores de 76 a você, cruzeirense?

Você pode medir, traduzir ou explicar o que, hoje, você apenas se orgulha em dizer que em Minas és o primeiro?

Todo cruzeirense sabe, ou deveria saber, que nosso primeiro título da Libertadores foi conquistado no ano de 1976 e muito se fala em Joãozinho, o irresponsável, responsável por nos coroar com um gol de falta no último lance da partida. Mas você conhece a história do Joãozinho?

Senta aqui, vamos conversar…

Entre os 13 e 14 anos, Joãozinho era um admirador da máquina celeste formada por Tostão, Dirceu Lopes, Raul, Zé Carlos e cia, como não tinha dinheiro para assistir aos jogos, pulava o muro do Mineirão para prestigiar os talentos azuis. Até os 16 anos trabalhador, auxiliar em uma oficina mecânica, ele ainda não pensava em ser jogador de futebol, mas bastou se decidir aos 19 anos, que no ano seguinte já era profissional. A oportunidade surgiu a partir do seu pai, que na época era motorista de táxi e dirigia para, o então dirigente do Cruzeiro, Carmine Furletti, conversa vai, conversa vem ficou marcado o treino e Joãozinho foi. Aos 20 anos já mostrava ao Brasil um talento que talvez nem ele mesmo imaginasse possuir.

Assim começa a história de João Soares de Almeida Filho, Joãozinho do Cruzeiro, o bailarino da Toca, o John Travolta dos gramados ou qualquer novo apelido que queiram intitular para o maior ponta esquerda da história do nosso querido e amado Cruzeiro Esporte Clube.

A final do Campeonato Brasileiro em 1975 foi entre dois super-times, Cruzeiro e Internacional, vencida pelo time Colorado, que vinha de melhor campanha na competição, com um gol “iluminado” pelo zagueirão Figueroa. Naquela ocasião o zagueiro Chileno teve a árdua missão de impedir que nosso bailarino brilhasse. Ambos os times foram classificados a Libertadores do ano seguinte e por consequência do regulamento da competição colocaria os times novamente frente a frente na fase de classificação.

Muito se fala no gol da final de 76, mas foi no Maior jogo da história do Mineirão, que aconteceu na fase de grupos da competição, Cruzeiro 5×4 Internacional, ele se tornou protagonista comandando o esquadrão azul a um jogo épico, mágico, de tirar o fôlego e uma revanche espetacular que nos levaria ao primeiro título internacional de nossa história. Figueroa não conseguiu apagar o maestro celeste que, além de comandar essa vitória celeste, foi autor de 2 dos 5 gols marcados pelo esquadrão estrelado. Nesta partida, ao começo da segunda etapa quando o jogo seguia empatado por 3 a 3, nosso artilheiro Palhinha foi expulso por confusão com Figueroa, o que engrandece ainda mais a vitória celeste por jogar na desvantagem e ascende a luz do nosso bailarino por assumir as rédeas da partida.

Há uma curiosidade supersticiosa que rondava a Toca naquela época em que o Cruzeiro era dirigido por Felício Brandi, a numeração dos jogadores do Cruzeiro fora modificada para ludibriar os adversários e por pura superstição. Naquela ocasião Joãozinho não vestiu a sua tradicional camisa 11, foi a campo com a pesada camisa 10 outrora defendida por quem tanto admirava em sua infância, nada menos que o príncipe Dirceu Lopes. Se a camisa pesou? Imagina! Joãozinho voou, brilhou, foi o cara daquela Libertadores, honrando-a com cada gota de suor que derramara por esta conquista.

Até aqui parece que Joãozinho jogava sozinho e era o único craque daquele timaço de 76. Mas você sabe ao lado de quem ele jogava? Nada menos do que Nelinho, o maior e melhor batedor de faltas do mundo; Capitão Piazza e Zé Carlos, veteranos que pararam e humilharam o poderoso Santos de Pelé; Quer mais? Também jogou ao lado do maior artilheiro brasileiro em uma só edição da Copa Libertadores: Palhinha. Sem dúvidas o maior time já montado pelo Cruzeiro em toda sua história e, em meio a tantas estrelas, eis que Joãozinho se tornou o nome daquela conquista.

Final da Libertadores de 76 – Cruzeiro x River Plate

Último lance de jogo, aos 42 minutos da etapa final, uma falta na entrada da área e o jogo empatado em 2 a 2. É Nelinho que tem que bater, o melhor cobrador de faltas do mundo, dali era quase impossível dele errar. Expectativas ao máximo, esperança batendo forte no peito, todos confiavam que aquela bola entrasse dos pés de Nelinho. Mas acredite, Joãozinho, o irresponsável mais genial da história meteu o pé na bola enquanto todos se arrumavam para a cobrança e colocou a redonda mansamente no ângulo direito do goleiro argentino. O juiz não havia autorizado a batida, mas validou o gol em razão de que a equipe de dos hermanos haviam feito um gol da mesma maneira sem sua autorização, no qual ele também havia validado.

Joãozinho nunca treinava cobranças de faltas, em razão disso nunca batia também, afinal tínhamos o melhor para a ocasião, que neste dia apenas assistiu ao gol mais improvável da história coroar-nos com o maior título das Américas. O Cruzeiro era Campeão da Libertadores da América, em Minas o primeiro!

Não busque explicações, não use os “E SE” da vida. Certo ou errado, irresponsável ou totalmente responsável tinha que ser ele, pelo pé dele, tínhamos que contar essa história hoje com o nome dele. João Soares de Almeida Filho, o irresponsável que conquistou a América e nossos corações com a genialidade e molecagem do seu futebol arte de todos os tempos.

E o Valdir, lateral do Inter responsável por marcar o endiabrado camisa 10 naquele jogão da fase de grupos? Ainda está tonto procurando o bailarino em campo!!

Sei que você se orgulha dessa história, mas valorize-a, relembre, re-conte, repasse e redistribua a todas as gerações contando de pais para filhos cada herói que temos em nossa gloriosa história imortal.

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