Sócio-torcedor: sacanagem com os cruzeirenses

arte-socio-palhaco

O Cruzeiro é o sexto clube brasileiro com mais sócios torcedores.

De acordo com dados do Movimento por um Futebol Melhor, nesta sexta-feira (14/10), são 77.623 cruzeirenses que aderiram ao programa de sócio.

Não é necessário ser um especialista no assunto para perceber que o número está inflado.

Elevado por incompetência ou má-fé de quem precisa elevar esse número para justificar o fracasso do programa.

Se fosse verdadeiro, o Mineirão estaria entupido em todas as partidas.

Diante do silêncio ensurdecedor da diretoria e dos profissionais que tocam os programas de sócio e marketing do Cruzeiro, o técnico Mano Menezes falou o óbvio após o importante empate contra o Palmeiras:

“Precisamos do torcedor. Temos dois jogos em casa e o torcedor pensa em escolher o jogo da Copa do Brasil. Se não vencermos a Chapecoense (próximo adversário, domingo, no Mineirão), esse ponto de hoje (contra o Palmeiras) vale pouco. Precisamos do torcedor. Acho que a diretoria podia fazer um pacote para o torcedor ir aos dois jogos com um ingresso”.

As palavras de Mano reforçam a incapacidade de os departamentos de sócio e marketing mobilizarem a torcida para ir ao Mineirão.

A metodologia do programa de Sócio Torcedor do Cruzeiro nasceu errada.

Manteve a filosofia anacrônica por causa do inesquecível bicampeonato brasileiro.

O objetivo do Sócio Torcedor do Cruzeiro, definitivamente, não é lotar o Mineirão.

Do jeito que foi idealizado, o Cruzeiro depende de seu desempenho em campo.

Se o time vai bem, Mineirão com bons públicos.

Se vai mal, Mineirão vazio.

Tudo por causa de um programa de Sócio Torcedor engessado e pouco dinâmico.

O objetivo do programa deveria ser manter o Mineirão cheio, mesmo que o time não alcance os resultados que a torcida imagina.

O Sócio Torcedor, em tese, serve para manter o torcedor conectado com o Cruzeiro.

Mas não funciona.

Por miopia de quem toca o Cruzeiro hoje.

Na Europa, por exemplo, existe um termo que já é velho.

É o “Dono da Cadeira”.

Ele paga um valor e tem seu assento fixo no estádio durante toda a temporada.

No Brasil nenhum clube de ponta tem algo parecido.

O Cruzeiro, copiando o falido modelo de sócio torcedor, preferiu obter receitas de sócios pagando uma mensalidade na casa de R$ 12.

Aí, o torcedor escolhe os jogos que estará no estádio.

Com esse time tenebroso, ingresso caro, sem estacionamento, custo alto de consumo dentro do Mineirão, o cruzeirense sofre com a equipe pela TV.

Eis a pergunta: porque os cruzeirenses não consomem o clube?

O cruzeirense é menos apaixonado que o torcedor do Barcelona?

Paixão é paixão.

Não importa se estamos em Belo Horizonte ou na Espanha.

O que ocorre é de uma obviedade sem tamanho.

O cruzeirense é espezinhado por essa diretoria que desconhece a grave crise econômica do Brasil.

Querem arrancar o sumo do torcedor.

Na Europa, o torcedor é a parte mais importante do espetáculo.

Os principais clubes europeus enxergaram outra obviedade: os times necessitam da paixão das arquibancadas e do dinheiro da torcida.

Quem anima sair de casa para ver um time brigando para não cair?

Como brinde há risco de o carro ser depenado por um flanelinha e o filho tomar spray de pimenta da PM?

Poucos.

Cada vez em menor quantidade animam.

Enquanto dirigentes e amadores seguirem no Cruzeiro, o quadro não muda.

O departamento de marketing não é estratégico.

Muito menos o de sócio.

Conseguem apenas pensar promoções esdrúxulas com o intuito de arrecadar cada vez mais em cima do torcedor para manter uma estrutura viciada e cheia de problemas.

A marca “Cruzeiro” é desejada por oito milhões.

Mas é trabalhada da pior maneira possível.

As pessoas empregadas pelo Cruzeiro ainda não foram apresentadas a conceitos elementares de marketing.

Ideias consagradas nos grandes centros.

Os programas de sócio e marketing do Cruzeiro não permitem inovação.

Pelo contrário, repelem novidades.

Tem certeza que desenvolveram o melhor programa do mundo.

Na verdade é o contrário.

Quem sofre é o torcedor.

Até o Mano já percebeu…

Comments

comments

Ainda não há comentários.

Deixe uma resposta