Nonato, o verdadeiro ídolo da lateral esquerda do Cruzeiro

Nonato, segurando o trófeu, comemorando a conquista da Copa do Brasil, no Parque Antártica.

Nonato, segurando o trófeu, comemorando a conquista da Copa do Brasil, no Parque Antártica.

Raimundo Nonato da Silva (Mossoró RN, 23 de fevereiro de 1967).

Pela simples definição acima, quem não conhece o nome dirá que se trata de um nordestino comum, como tantos outros. Mas não, hoje falaremos de Raimundo NONATO da Silva, simplesmente o maior lateral que já atuou pelo Cruzeiro Esporte Clube. Que me perdoem Sorín, Vanderlei, Nelinho, Balú e Maurinho, outros titãs que desfilaram com categoria pelas nossas laterais, mas na opinião de quem aqui disserta NONATO foi inigualável.

Um sujeito humilde dotado de uma personalidade forte. A descrição parece paradoxal, mas se encaixa no perfil de NONATO, dentro e fora de campo. Esse potiguar de físico franzino começou a carreira no amador do Baraúnas de Mossoró RN, sendo emprestado ao ABC de Natal no ano de 1988. Após se destacar pelo Campeonato Potiguar, NONATO foi comprado pelo ABC. Em 1990, foi emprestado ao Pouso Alegre para a disputa do Campeonato Mineiro. Destacando-se novamente em outro estadual, foi comprado pelo Pouso Alegre e emprestado ao Cruzeiro Esporte Clube, sendo adquirido definitivamente pelo Maior de Minas no dia 10 de janeiro de 1991. Começava ali uma trajetória fascinante onde o atleta ocuparia por sete anos ininterruptos a lateral esquerda do Cruzeiro. Por ser diferenciado, NONATO também fez hora extra na lateral direita quando foi solicitado. O segundo jogo da final da Supercopa de 1991 é um exemplo de hora extra do jogador na posição.

Em sete anos, nada menos que 14 títulos foram colocados no currículo com a camisa azul, entre conquistas regionais, nacionais e internacionais. Citemos alguns: duas Supercopas (1991-1992), duas Copas do Brasil (1993-1996), Copa Master (1995), Copa Ouro (1995), quatro campeonatos mineiros (1992, 1994, 1996 e 1997) e a Copa Libertadores (1997).

São múltiplos os adjetivos para mensurá-lo: voluntarioso, técnico, líder, dedicado, polivalente, eficiente. Se eu continuar, escreverei um livro. Mesmo não sendo tão veloz e com um porte físico franzino, conseguia exercer perfeitamente o papel de lateral. Compensava isso com muita técnica e uma inteligência magistral no posicionamento. Vi poucos inverterem tão bem o jogo horizontalmente quanto ele. Pela capacidade técnica, seria um excelente meio-de-campo. A regularidade em campo também foi sua marca registrada. Raramente jogava mal. Quem duvida, basta avaliar a média que ele alcançou na disputa da Bola de Prata promovida pela Revista Placar no período de 1991-1997.

 

 

Os fatos inusitados também fizeram parte da vida do atleta. No ano de 1993, em um jogo contra o Corinthians marcado por muita confusão, NONATO chutou “discretamente” a bandeirinha Maria Edilene. Sendo imparcial, aposto que foi sem querer (Risos). Em outro jogo, dessa vez contra o Boca Juniors, válido pela fase de grupos da Copa Libertadores de 1994, o lateral surpreendeu o goleiro Navarro Montoya e a todos com um chute da faixa central do campo. Caprichosamente a bola bateu no travessão e não entrou. NONATO quase fez o gol que Pelé também quase fez na Copa de 1970.

Infelizmente, a quase uma década de serviços prestados ao Cruzeiro teve um desfecho um pouco decepcionante para o atleta e para nós torcedores, e não foi por culpa dele ou nossa. Justamente na final do Mundial Interclubes de 1997, o objeto de desejo que ainda não teve a honra de ser contemplado pelo Cruzeiro, o atleta não jogou. Mas qual seria a motivação? Lesão? Desentrosamento? Nada disso. O critério adotado pelo técnico Nelsinho Baptista (um idiota) para tal escolha é um mistério. Para mim, foi uma das maiores sandices (se não foi a maior) da história Clube. O jogador mais experiente, com mais tempo e títulos no clube, foi sacado por um treinador forasteiro. E pior, o então presidente Zezé Perrella permitiu essa afronta sem se manifestar.

Como Cruzeirense, sinto-me decepcionado por não ter visto meu ídolo em campo. A presença dele não seria a garantia da vitória, mas com certeza garantiria mais vontade e determinação. Nonato não gostava de perder. Estampava a decepção com as derrotas no rosto. Sofreu como todos nós Cruzeirenses por ter sido impedido de jogar. Frustrou-se- por não ter tido a permissão de ajudar. Não sou culpado por esse sacrilégio, também não sei se alguém da Diretoria teve a hombridade de se retratar com nosso eterno lateral, mas como Cruzeirense eu peço desculpas a ele. O fato não mancha em nada sua rica carreira Raimundo NONATO da Silva.

Aqui fica um humilde relato de um Cruzeirense que te admira muito. Palavras são serão insuficientes para agradecer toda sua contribuição e devoção. Como um torcedor que tem o Cruzeiro morando dentro do coração, sou e serei eternamente grato a você. Obrigado por tudo!

Leonardo Valadares
Twitter: @Leovaladares17

Comments

comments

Ainda não há comentários.

Deixe uma resposta