FABINHO GUERREIRO

No ano de 1995 chegava ao Cruzeiro um jogador franzino, altura mediana, parecia até um atacante, aqueles velocistas que jogam pelas beiradas. Mas não!!! Ele atuava na posição de volante. O novo atleta havia sido contratado junto ao Flamengo, clube que o formou e onde ele atuou como profissional de 1990 até o fim de 1994.

Já sabem de quem eu estou falando? Não! Mais uma dica, era taxado como violento, uma injustiça. Ele jogava duro, marcava forte, mas nunca machucou um companheiro de trabalho. Sabe quem é agora? Iiiiiiiii se a resposta for não, o amigo, você está precisando estudar mais a história do Cruzeiro, para você saber os caras que realmente honraram esse manto sagrado.

Bom chega de enrolação, estou falando do Fabinho, que logo virou Fabinho Guerreiro para torcida, bobagem falar porque né? Não acho. Muitas pessoas não sabem quem ele foi

Fabinho era daqueles volantes incansáveis em sua função. O cara era pura determinação e raça. Me lembro de uma partida, uma pena não recordar o adversário. Fabinho deu um carrinho na entrada da área do Cruzeiro com o intuito de evitar o chute do atacante para o gol de Dida. O adversário deu um corte e o volante ficou no chão, hum!!! O cidadão deve ter pensado: “se dei bem”. Ele armou o chute e disparou, só um detalhe que ele não esperava. Mesmo no chão Fabinho dividiu a bola com a cara e evitou o lance contra o gol celeste.

O nosso volante era assim e aposto que você que não o viu jogar deve estar pensando: “volante assim é grosso com a bola nos pés”, ledo engano. Acho que foi contra o Vasco no Mineirão. O lateral adversário fez um baita lançamento para seu atacante, Fabinho interceptou a bola no caminho, sabe como? ele dominou a bola de letra. Seu corpo ja tinha passado um pouco do ponto do percurso da pelota, o recurso que lhe sobrou era o mais difícil e ele fez parecer fácil.

Em 1996 veio a primeira grande conquista do volante pelo Cruzeiro. A inesquecível Copa do Brasil, sobre o Palmeiras, time tido e Havido como o melhor de todos os tempos. Para os paulistas, porque para nós Cruzeirenses, tinha nada disso! Bão era o nosso Cruzeirão.

A campanha do time foi boa pacas na competição. Não oitavas de final despachamos o Vasco:

Vasco 2 x 6 Cruzeiro (São Januário)
Cruzeiro 1 x 1 Vasco (Mineirão)

Nas quartas de final, foi a vez de sapecar o CUrinthians:

Cruzeiro 4 x 0 Corinthians (Independência)
Corinthians 3 x 2 Cruzeiro (Pacaembu)

Aí veio a semifinal, adversário que a turma costuma falar o seguinte: “Não pode chegar o Flamgo chegar, se deixar já era”, porra nenhuma:

Flamengo 1 x 1 Cruzeiro (Maracanã)
Cruzeiro 0 x 0 Flamengo (Mineirão)

Bão, Cruzeiro na Final contra o todo poderoso Palmeiras, que realmente tinha um timaço, olhem só a formação dos caras: Velloso, Cafu, Sandro, Cléber e Júnior; Cláudio, Amaral, Marquinhos e Rivaldo; Luizão e Djalminha. Técnico: Vanderlei Luxemburgo

Mas aqui, não ficávamos para trás: Dida, Vítor, Gelson Baresi, Célio Lúcio e Nonato; Fabinho, Ricardinho, Palhinha, e Roberto Gaúcho; Marcelo Ramos e Cleison. Técnico: Levir Culpi.

No primeiro jogo no Mineirão deu empate, 1 a 1. O Palmeiras abriu o placar com Cláudio no primeiro tempo. O Cruzeiro empatou com Marcelo Ramos no segundo tempo.

Aí veio a final. Para a imprensa nacional a Copa do Brasil já tinha um campeão e era o Palmeiras, só esqueceram de avisar ao Cruzeiro.

No dia 19 de junho de 1995, às 21:45 hs, começou a grande final. E para dramatizar ainda mais a conquista, o timaço do Palmeiras abriu o placar logo aos 5 minutos do primeiro tempo, Luizão marcou.

Mas Fabinho, em entrevista ao Superesportes, revelou qual foi o segredo usado pelo time para virar aquela partida: “O Palmeiras era muito bom e eles ainda iam jogar com a torcida a favor. Porém, nosso time era experiente. Quando a gente tomou o gol, a gente não se abateu. Atacamos eles lá dentro” e a tática num “faio”. Aos 25 minutos, também do primeiro tempo, Roberto Gaúcho (o Homem para ter estrela) empatou a partida. Tudo Igual

Veio o segundo tempo, o Palmeiras arrumou uma pressão daquelas para cima do Cruzeiro, criaram inúmeras chances de desempatar a peleja… “Mas a gente corria demais para parar eles. A gente era bem rápido e preparado para isso. Era foco. Treinávamos muito para isso. Aí foi tranquilo. Paramos eles mesmo.” Revelou o volante ao Superesportes.

E a história mostra que o Cruzeiro foi muito alem, não só parou o time do Palmeiras, como virou o jogo com um gol de Marcelo Ramos. O porco se perdeu e aí só foi terminar de assa-los. Cruzeiro bicampeão da Copa do Brasil.

Na chegada a BH, Fabinho ficou impressionado com a festa da torcida: “Chegamos no carro do Corpo de Bombeiros para receber a homenagem, o torcedor parou tudo, não vou esquecer nunca mais. Tem foto aqui em casa, a gente parou a cidade inteira, o caminhão não conseguia andar, não andava, tudo parado”.

Mas o destino ainda reservava mais uma grande conquista para o volante com a camisa celeste. Uma libertadores.

Cruzeiro se classificou para a competição sul-americana de 1997. Foram 14 jogos para conquistar o título e Fabinho foi titular em todos eles. E olha… num foi fácil essa conquista.

O Cruzeiro fez uma primeira fase extremamente distinta. Perdeu os três primeiros jogos, o que obrigou a equipe a vencer seus outros três compromisso e foi o que aconteceu:

  • CRUZEIRO 1 x 2 GRÊMIO
  • ALIANZA 1 (PER) x 0 CRUZEIRO
  • SPORTING CRISTAL (PER) 1 x 0 CRUZEIRO
  • GRÊMIO 0 X 1 CRUZEIRO
  • CRUZEIRO 2 x 0 ALIANZA (PER)
  • CRUZEIRO 2 x 1 SPORTING CRISTAL (PER)

Time Classificado e já nas oitavas de final teste para o Coração do torcedor.

  • El NACIONAL (EQU) 0 X 1 CRUZEIRO
  • CRUZEIRO 2 X 1 EL NACIONAL (EQU)

Nos penaltis deu Cruzeiro, 5 a 3.

Veio então as Quartas de Final e um adversário que já conhecíamos, o Grêmio. No Mineirão, Cruzeiro venceu por 2 a 0, gols de Elivelton e Alex Mineiro.

Na volta, Fabinho, mesmo machucado decidiu para o Cruzeiro. O volante recebeu uma bola dentro da área gremista e… “Dominei no peito e dei um chute cruzado de perna esquerda. Foi muito bonito”. O Grêmio chegou a fazer dois gols, que não foram suficientes para classificar os gaúchos

Na semifinal mais sofrimento. Vencemos o Colo-Colo do Chile no Mineirão por 1 a 0 e perdemos no Chile por 3 a 2. Penaltis novamente. Mas tínhamos Dida e nesse ele foi um monstro. Olhem como foram as cobranças das penalidades: Cruzeiro 4 a 1 (Ricardinho 1 a 0; Dida defendeu a cobrança de Basay 1 a 0; Donizete 2 a 0; Dida defendeu a cobrança de Espina 2 a 0; Fabinho 3 a 0; Sierra 3 a 1; Marcelo Ramos 4 a 1).

Ai veio a Final e novamente um velho conhecido, o Sporting Cristal do Peru. Na casa deles deu empate, 0 a 0. A decisão veio para o Mineirão, jogo duro, difícil. Primeiro tempo nada de gols, veio a segunda etapa. A partida seguia pegada, brigada, e aos 15 minutos… NU!!! Falta para os Peruanos, Bonnet chutou forte, rasteiro, Dida fez grande defesa e evitou o gol, mas teve rebote, a bola sobrou para Julinho, brazuca que defendia o Cristal, ele deu uma pancada a queima roupa, o nosso goleirão com a ponta do pé defendeu. Ufa!!!!

15 minutos depois foi loucura total. Nonato cobrou escanteio, a zaga tirou e de fora da área, de primeira e de pé direito (que não era a perna boa) Elivelton soltou a pancada, o goleiro deu uma falhadinha vai, mas e daí!!!! Bola na rede.

Cruzeiro Campeão da Libertadores, bicampeão, 1976 e 1997.

20120110085043806883aO Guerreiro Fabinho ainda foi Campeão dos Campeonatos Mineiros de 1996/97

Em 98 Fabinho seguiu para o Grêmio, mas deixou seu nome marcado na história do Cruzeiro e para isso acontecer, ele não usou de palavras, marketing e muito menos com a ajuda de “amigos” da imprensa. Ele cravou sua marca no Maior de Minas demonstrando raça e determinação em campo, muito respeito ao manto sagrado e a grandiosa torcida celeste.

Valeu Fabinho Guerreiro

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