ETERNO – ÊNIO ANDRADE

5479e887dce2as47655Foram 4 passagens pelo Cruzeiro, tendo conquistado 3 Campeonatos Mineiros, 1 Supercopa, 1 Copa Ouro e 1 Copa Master da Supercopa, já deu para descobrir de quem eu estou escrevendo? Não!!! Mais dicas. Era considerado turrão, mal humorado e retranqueiro. Ganhou três Brasileiros, Um com o Internacional, outro com Grêmio e por fim com o Coritiba e cá para nós, era um sujeito que estava muito a frente do seu tempo. E agora, ja sabe quem é?

Estou falando do Gaúcho Ênio Andrade, carinhosamente chamado aqui pelas bandas de Minas Gerais de Veinho.

O professor Ênio Andrade é fonte de inspiração para vários técnicos de ponta do nosso futebol brasileiro. (Não nessa fase horrível que o esporte se encontra, mas na época das vacas gordas)

Um deles é o atual treinador da seleção brasileira, o Tite, leiam a declaração que ele deu em 2012: “sabe que eu nunca falei com o seu Ênio Andrade, mas sou da escola dele, do futebol do passe certo, da jogada inteligente. Admiro o seu Carlos Froner também, outro gaúcho histórico, mas sou mais ligado ao estilo de jogo proposto pelo seu Ênio. Sigo seus conceitos e ensinamentos (…) aprendi muito lendo jornal, crônicas de jogos, colunas. A imprensa gaúcha ajudou muito. Estou sempre tentado aprender mais”.

O Veinho conhecia pouco de futebol, veja só. Quando o talento azul Alex tinha 17 anos, o Cruzeiro mostrou interesse em contrata-lo, mas a negociação não prosseguiu. Aí seu Ênio bateu um papo com o nosso 10, olha a revelação que o nosso craque de 2003 fez: “Seu Ênio, em 30 minutos de conversa, me desenhou o clube e disse que meu perfil se enquadrava na escola que o cruzeirense gostava. E aquilo batia na minha cabeça dia após dia. Desse dia em diante guardei uma frase em minha cabeça: “você possui o DNA do Cruzeiro”. Sabia de nada o professor né?

Tive a oportunidade de conversar com vários ex-atletas, Ademir, Careca, Paulão, Edson (Guerreiro), Luis Fernando Flores, Nonato e mais uma galera e os caras são fãs do professor Ênio Andrade. Todos ressaltaram a forma como ele trabalhava, como dava os treinos, os vastos conhecimentos táticos, como ele lhe dava com os atletas.

Quando no Cruzeiro as coisas apertavam um pouquinho… Os jogadores chegavam até o Zezé Perrella e pediam pela volta do mestre Ênio Andrade. O treinador se tornou o porto seguro daquela geração de 90

Os jogadores que trabalharam com o técnico e que almejam serem treinadores de futebol, falam em seguir os ensinamentos do professor Ênio. Um bom exemplo é o treinador Adilson Batista, uma cópia quase perfeita do Veinho. Meio turrão, linha dura, de respostas às vezes ríspidas com a imprensa, conhecedor profundo do futebol e o mais importante querido por aqueles que trabalham com ele no dia a dia.

Em 1995 a relação harmoniosa entre treinador e clube foi abalada, acredito que o fato que vou narrar agora, tenha sido a maior decepção do Seu Ênio Andrade dentro do futebol.

Seu Ênio, com o Cruzeiro, conquistou o primeiro turno do Brasileirão (foi neste ano que a vitória começou a valer 3 pontos) fez 25 pontos, superando o temido Palmeiras. A conquista ja garantia a Raposa na semifinal da competição. Como ja estava classificado, o treinador “virou a chave” e focou o time na conquista da Supercopa.

Então o Cruzeiro adotou a seguinte pratica, entrava com força total na competição internacional e com um time alternativo no Brasileirão. A raposa chegou até a semifinal da competição Sul-Americana, mas caiu diante do Flamengo. No Campeonato Nacional, a Raposa vinha mal no segundo turno, em 7 rodadas o Cruzeiro tinha:

  • 1 Vitória
  • 2 Empates
  • 4 Derrotas

O time encontrava-se na 10ª colocação na tabela de classificação.

O presidente Zezé Perrella decidiu por trocar o comando técnico do time, indo contra a vontade dos atletas, eles tinham absoluta certeza que com o Veinho no comando, eles conquistariam o Brasileiro daquele ano. Mas de nada adiantou as solicitações dos atletas

Ênio Andrade também tinha convicção que levaria o Cruzeiro ao título e falam que a tristeza foi tanta, que o treinador entrou em depressão.

Jair Pereira assumiu o time. O seu primeiro desafio foi o Fluminense, fora de casa, e ele foi bem, vitória celeste por 2 a 0. O novo treinador encarou mais quatro desafios no returno. Obteve 2 vitórias e 2 derrotas, fazendo ao todo nove pontos.

O cruzeiro terminou a segunda fase do Campeonato Brasileiro na oitava colocação e enfrentaria na semifinal o Botafogo, o time carioca foi o campeão do returno, os dois times estavam na mesma chave.

A primeira partida da decisão aconteceu no Mineirão e deu empate, 1 a 1. Pelo Cruzeiro quem balançou as redes foi Paulinho McLarem e Túlio fez o gol do Botafogo.

A partida decisiva foi no Maracanã, novo empate, 0 a 0. O Botafogo seguiu para final por ter feito melhor campanha que o Cruzeiro. No primeiro turno a Raposa fez 25 pontos e no Returno os cariocas fizeram 27. Fim do sonho da conquista do Brasileirão.

No Cruzeiro, não faltou empenho, dedicação, raça, vontade, todos queriam ir para a final, até mesmo porque seria uma forma de homenagear o grande responsável pela chegada do clube até aquele ponto.

A pergunta que fica é: Será que se o Veinho Ênio Andrade estivesse no comando do time na fase final da competição, o Cruzeiro não teria tido uma melhor sorte e quem sabe talvez se sagraria campeão Brasileiro daquele ano? Vai saber né!!!

“O Veinho”, morreu em sua cidade de origem, Porto Alegre, no dia 22 de janeiro de 1997, vitimado por complicações pulmonares.

Mas o seu legado está aí e o mantém vivo dentro do universo futebolistico, ele deixou sua marca no mundo da bola e cravou seu nome no Gigante das Gerais.

Quem sabe, algum dia desses, alguém no Cruzeiro não tenha a brilhante idéia de homenagea-lo pelos importantes serviços prestados ao clube.

Valeu Seu Ênio Andrade

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