ETERNO RAUL PLASSMANN

Raul Guilherme Plassmann, mais conhecido como Raul Plassmann, ou somente Raul. Saiu da pequena cidade de Antonina no Paraná, para ser um dos maiores goleiros da história do Cruzeiro.

Raul chegou ao clube em 1965, veio do São Paulo e aos 21 anos tinha a grande responsabilidade de ser o goleiro de um time de estrelas. Vamos lá: Neco, Pedro Paulo, Willian, Procopio, Piazza, Natal, tostão, Evaldo, Dirceu Lopes e Hilton Oliveira. Baita responsabilidade, mas ele não decepcionou, vocês vão ver.

A carreira de Raul foi repleta e feita por curiosidades.

Ele chegou ao Cruzeiro para ser reserva de Tonho e adivinhem contra quem ele teve a sua primeira chance de atuar como titular? Isso mesmo, contra o rival.

Naquele tempo, goleiro jogava de camisa preta, não tinha outra cor, era preta e pronto. Só que antes de subir para o gramado, Raul cismou que o seu uniforme estava muito curto, então ele pediu para o seu companheiro de time, Neco uma camisa emprestada. O lateral tinha um agasalho amarelo de gola role, Raul não importou, improvisou um numero 1 com esparadrapo e foi para o campo.

Foi uma surpresa para todos, a torcida rival o vaiava, enquanto a apaixonada torcida Cruzeirense o aplaudia freneticamente. Independente da cor da camisa, o fato é que, naquele dia Raul fechou o gol e o Cruzeiro venceu a partida.

Ai começam as curiosidades. Que relação tem a boa atuação do jovem goleiro na partida, com o fato dele ter usado uma camisa amarela? Nem se forçar muito, usar de muita semiótica da para relacionar um fato com o outro, não é verdade? Não, não é verdade. Uma pessoa conseguiu juntar as duas situações  e concluiu que, a boa atuação de Raul estava diretamente ligada a danada da camisa amarela e quem foi essa pessoa? O então presidente do Cruzeiro Felicio Brandi.

O mandatário maior do time, que era muito supersticioso, não perdeu tempo, mandou fazer 10 camisas da cor amarela para o goleiro e a partir dai, pelo menos no Cruzeiro, Raul sempre atuou utilizando essa cor. (uma vez só que ele fugiu a essa “regra”, foi por causa de uma renovação de contrato. O goleiro e o presidente não chegaram a um acordo, de pirraça, o arqueiro comprou uma camisa preta e a usou justamente em um jogo contra o Atlético. Resultado: O contrato foi fechado)

Raul era o desejo de consumo da mulherada na época, era tratado como galã pelas moçoilas belohorizontinas, perguntem para avó de vocês. Isso aí era demais para os rivais, eles queriam o goleiro só para eles

O goleirão não era muito adepto a treinamentos. Reza a lenda, que certa vez o time estava treinando e nada do Raul. Airton Moreira, treinador da época, mandou chamar o jogador. Ele foi encontrado  em seu quarto, deitado de maias e se recusou a treinar. No quesito treinamento, o nosso ídolo era indisciplinado

Raul NUNCA levou um gol de pênalti do rival

Mas vamos falar do que interessa.

O primeiro título de Raul com a camisa do Cruzeiro foi logo na sua chegada ao clube, campeão Mineiro de 1965. O estadual para aquele time não era problema. Com o arqueiro no gol, a equipe conquistou mais nove títulos em seu quintal. 1966/67/68/69/72/73/74/75/77

Mas a conquista que foi a redenção daquele time fantástico, aconteceu em 1966.

O Cruzeiro destroçou o que era considerado a melhor equipe do mundo, o Santos de Pelé. A equipe responsável pelo feito era essa:

Neco, Pedro Paulo, William, Procopio, Piazza e Raul (goleiro). Agachados: Natal, Tostão, Evaldo, Dirceu Lopes e Hilton Oliveira

Neco, Pedro Paulo, William, Procopio, Piazza e Raul (goleiro).Agachados: Natal, Tostão, Evaldo, Dirceu Lopes e Hilton Oliveira

No Mineirão, o Cruzeiro passeou, sapecou 6 a 2 no Santos. Os gols da raposa foram marcados por: Dirceu Lopes (3), Zé Carlos (contra), Natal e Tostão

No jogo da volta, no Pacaembum, tome mais sapeca, Cruzeiro 3 a 2, gols de: Tostão, Dirceu Lopes e Tostão.

Pronto!!! Esses lendários jogadores do Cruzeiro colocaram o clube em um lugar que ele nunca mais saiu. No topo. O Brasil se curvou ao time da camisa azul, que simplesmente amassou um time que era considerado imbatível.

Mas antes de sair do Cruzeiro, Raul ainda tinha mais uma conquista que ele precisava buscar. A libertadores e ela veio em 1976. O time era bem diferente daquele de 1966.

De pé: Darci, Piazza, Morais, Nelinho, Vanderlei e Raul. Agachados: Eduardo, Zé Carlos, Palhinha, Jairzinho e Joãozinho

De pé: Darci, Piazza, Morais, Nelinho, Vanderlei e Raul.Agachados: Eduardo, Zé Carlos, Palhinha, Jairzinho e Joãozinho

Mas alguém aí duvida da qualidade dessa equipe? Não tem como né!!!

Cruzeiro campeão da Libertadores de 1976. Bateu o River por 3 a 2 no terceiro jogo da decisão que aconteceu no Chile, o gol da vitória saiu do “irresponsável” joãozinho, que marotamente se antecipou a Nelinho em uma cobrança de falta e meteu a bola nas redes.

Essa conquista foi épica, praticamente da um filme. Teve de tudo. Drama (morte do Roberto Batata), superação e final feliz. Mas falaremos dessa história em outra oportunidade.

Em 1978, Raul que já estava aposentado, foi vendido por Felicio Brandi ao Flamengo. O dirigente convenceu o goleiro a voltar a atuar.

La nas bandas do Rio, o arqueiro ganhou mais uma tonelada de títulos, mas isso é história para os cariocas contarem.

Números de Raul no Cruzeiro:

  • 557 jogos
  • 434 gols sofridos

Títulos

  • Campeonato Mineiro: 1965, 1966, 1967, 1968, 1969, 1972, 1973, 1974, 1975 e 1977
  • Taça Minas Gerais: 1973
  • Taça Brasil 1966
  • Copa Libertadores da América 1976

Raul Guilherme Plassmann, gigante e eterno. O goleiro da camisa amarela imortalizou seu nome na história do Cruzeiro Esporte Clube.

Todas as reverencias são poucas para esse verdadeiro ídolo.

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