Eterno Natal. O diabo Loiro

Extrovertido, brincalhão, ponta direita, louco por carros e um cracaço de bola. Estou falando de Natal, ídolo eterno do torcedor Cruzeirense.

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Natal era tão “bruto” nos dribles, que certa vez o falecido técnico da Seleção Brasileira, Aimoré Moreira, profetizou as seguintes palavras: “apenas um soco na cara pode parar Natal em campo”. E era quase assim, porque nem os socos, tapas e pontapés eram capazes de para-lo.

A genialidade de Natal com a bola nos pés era tanta, que ele ganhou o apelido de Diabo Loiro. O cara aterrorizava seus marcadores.

o-diabo-loiroNa Taça Brasil de 66, quando o Cruzeiro assombrou o mundo goleando o Santos de Pelé, no Mineirão, pelo placar elástico de 6 a 2, Natal deixou a sua marca. Foi dele o segundo gol da Raposa, aos 5 minutos da primeira etapa.

A segunda partida, no Pacaembu, veio outra vitória… heróica também, 3 a 2 de virada. Ah quer saber, deixa que o próprio Natal contar como ela foi.

Mas as peripécias do Diabo Loiro não ficaram só contra o Santos. Em 1967 ele aprontou novamente, dessa vez contra o rival local.

Os caras venciam a partida por 3 a 0, Procopio tinha sido expulso e Tostão machucado. Naquela época, as substituições tinham que ser feitas até os 40 minutos do primeiro tempo, depois disso… já era. Bom fim do primeiro tempo. A raposa voltou para a segunda etapa com 9 jogadores em campo e vejam aí o que aconteceu!

As duas equipes terminaram a primeira fase com o mesmo número de pontos e como o regulamento não previa desempate por saldo de gols, ou número de vitórias, as dus equipes decidiram o Campeonato Mineiro de 1967 em uma melhor de três jogos. Quem fizesse 4 pontos seria o campeão. Os três jogos não chegaram a acontecer, o Cruzeiro liquidou a futura nas duas primeiras partidas.

Cruzeiro 3 x 1 Atlético-MG – 14 de janeiro de 1968

  • Gols Cruzeiro
    • Natal
    • Vander (Contra)
    • Natal
  • Gol Atlético
    • Buião

Estádio: Mineirão

Público: 86.977

Atlético-MG 0 x 3 Cruzeiro – 21 de janeiro de 1968

  • Gols do Cruzeiro
    • Tostão
    • Dirceu Lopes
    • Evaldo

Estádio: Mineirão

Público: 79.981

Foi a primeira vez que os rivais fizeram uma decisão no Mineirão.

O sucesso obtido em 1966, levou Natal até a Seleção Brasileira. No ano de 1967 ele, juntamente com seus companheiros, conquistaram no Uruguai a Taça Rio Branco.

O futebol do Diabo Loiro despertou o interesse de outros clubes. Certa vez o presidente do Palmeiras veio até Belo Horizonte decidido a contratar o Craque. Ofereceu uma dinheirama para o Cruzeiro, para o jogador e ainda de quebra falou que um Alfa Romeo novinho o esperava em São Paulo. Natal, um aficionado por carros balançou mas…

Dez minutos depois da reunião com o dirigente paulista, eis que surge a Mãe de Felicio Brandi, ex-presidente do Cruzeiro. Ela bateu um papo com Natal bem… como podemos dizer… bom leiam aí: “Daqui você não sai para lado nenhum e pode falar com o presidente do Palmeiras para pegar descendo, porque você não vai para lado nenhum!!!” Depois de decretar a permanência do ponta, ela foi até a Motorauto e comprou um Opala para o craque.

Mas em 1970, influenciado pelo supervisor de futebol, Flávio Costa, que julgava Natal um jogador muito boêmio, Cármine Furletti, colocou o Diabo Loiro a venda. O Corinthians não perdeu tempo e o contratou.

Natal foi e é um cara brincalhão, além de muito carismático, olhem o que o ídolo eterno Raul falou sobre o ex-companheiro de clube e seleção para 0 apresentador do Os Donos da Bola, programa esportivo da TV Bandeirantes.

Natal hoje está com seus 70 anos, leva uma vida tranquila no bairro Jardim América, ansioso para voltar a ativa, aproveitem ele ainda tem muito o que ensinar sobre o futebol e a vida. Aprendam com o mestre

O Diabo Loiro usou a camisa 7 no Cruzeiro. Que os  jogadores que a vestirem, quando forem a campo, que o façam com raça, com amor, com dedicação e com entrega. Porque Natal honrou como poucos esse manto sagrado

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