ETERNO DIDA

Peço permissão para nestas linhas falar do “Homem de Gelo”. Sua frieza incalculável em decisões de tirar o fôlego e mexer com os nervos de uma nação apaixonada trouxe títulos imortais, além de se tornar uma lenda viva da história Gigante que ajudou a escrever no Cruzeiro Esporte Clube.

Foi na década de 90, em meio aos times do EIXO que figuravam como os melhores times do Brasil, que este arqueiro escreveu seu nome na história do nosso clube e o elevou a um patamar de respeito e glória. Estou falando dele mesmo Nelson Jesus Silva, mais conhecido como Nelson Dida, ou simplesmente DIDA. Foi no Cruzeiro em que sua carreira se elevou, onde foi conhecido como especialista em pegar penalidades máximas. Do Cruzeiro para o mundo, Dida se tornou um dos maiores goleiros da história desse planeta.

Mais importante do que os homens de referência, os fazedores de gols, é o goleiro. E quem vivenciou aqueles anos mágicos do futebol brasileiro se rendeu a muralha celeste quando a América parou para reverenciar as 5 (cinco) estrelas (1997) ou quando o Brasil inteiro viu grandes estrelas da seleção brasileira, que atuavam no temido Palmeiras da era Parmalat, caírem em casa diante do Cruzeiro (1996), o herói dessas conquistas? Ele, Dida. Defesas heroicas, inimagináveis, de quem sabe, de quem tem frieza de estar em campo minado, de quem não ouvia o que se passava ao redor, mas tinha uma única meta: não deixar a bola entrar.

Dida foi contratado pelo presidente César Masci, em 1994, após ser vice-campeão Brasileiro pelo Vitória, permaneceu no Cruzeiro por uma temporada de 4 anos, atuando com a camisa celeste em 305 partidas. Responsável e focado. Seu negócio era treinar e jogar. Foi um dos jogadores mais dedicados da história do Cruzeiro. Uma curiosidade sobre a passagem do arqueiro pelo Maior de Minas é que o clube JAMAIS perdeu uma disputa de pênaltis enquanto defendeu as redes estreladas e elas eram frequentes nas competições como Copa do Brasil, Supercopa e Copa Mercosul.

TÍTULOS PELO CRUZEIRO

Copa do Brasil – 1996

Copas Masters e Ouro da Confederação Sul-Americana – 1995

Libertadores – 1997

Campeonato Mineiro – 1994, 1996, 1997 e 1998

Dida, sem dúvidas, foi o maior goleiro da história do Cruzeiro. Um mito, milagreiro. Até mesmo quem contemplou com seus próprios olhos dizem que algumas defesas foram inacreditáveis, dignas de todo o esforço e competência desse multicampeão que tivemos o privilégio de tê-lo em nossa história.

FUTEBOL- DIDA

Galvão Bueno narrou grandes jogos, lances imortais, defesas de goleiros históricos, mas foi privilegiado a narrar defesas monumentais e se render ao gigante Dida nos títulos citados acima. Na final da Libertadores de 97 contra o Sporting Cristal, aos 20 minutos da segunda etapa, Galvão proferiu as seguintes palavras “Barreira se formando, Dida preocupado fica ao lado direito do gol. Castrilli discute ali com o Ricardinho. Torres se intromete na barreira, Garay também. Solano vai para a cobrança… Pé direito, bateu.. DIIIIDDAAAAAA! Ainda a chance. DIIIIIDAAAAAAAAAA de novo! SE O TÍTULO VIER METADE DELE JÁ TEM DONO. É DO GOLEIRO DIDA. Grande defesa. A primeira foi EXCELENTE. A segunda MONUMENTAL. Com o pé direito ele salva o Cruzeiro… com puro reflexo”. Dez minutos após o lance – onde o jogo, graças ao arqueiro, continuava empatado em 0x0 – Elivelton apara um rebote e chuta de fora da área ara marcar o gol do título.

Se essa partida da Libertadores foi de tirar o fôlego, um ano antes, foi teste para cardíacos. Naquela ocasião, o Cruzeiro disputava a final da Copa do Brasil de 1996, contra o favorito Palmeiras, naqueles tempos um dos times mais temidos do país. E foi no Parque Antártica que a nação inteira se rendeu a defesas consecutivas e improváveis do Homem de Gelo. Aos 20 minutos do segundo tempo, os jogadores palmeirenses fuzilaram o gol celeste, mas a estrela de Dida brilhou como nunca e o narrador Sílvio Luiz berrava a plenos pulmões: “MILAGRE, MILAGRE, MILAGRE, MILAGRE, MILAGRE NO PARQUE ANTÁRTICA!”. O jogo estava empatado em 1 a 1. O narrador após tantas defesas naquela partida, em outro lance posterior a este, já proferia palavras como “eu não acredito no que estou vendo, milagre, milagre…”. O Cruzeiro conseguiu virar o jogo com Marcelo e consagrou-se Campeão da Copa do Brasil de 1996. Um jogo histórico, imortal, que acelera corações no videoteipe mesmo após 20 anos.

“O atacante faz a alegria da galera, mas o herói é o Dida” – Cleber Machado.

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