ETERNO – ADILSON BATISTA

Em 1989 chegava ao Cruzeiro um zagueiro bem “juvinha”, 21 anos, vindo do Atlético-PR, sujeito franzino, que pisava para dentro, cara e jeito de “capiau”, seu nome? Adilson Batista…e olha, a história desse camarada se mistura com a do Cruzeiro.

Adilson como jogador, PUTZ!!! Sorte de quem teve o privilégio de ve-lo jogar. Era um zagueiro extremamente técnico, rápido, batia falta com precisão e dava porrada em seus adversários como poucos. Era zagueiro, zagueiro.

Adilson era um cara muito comprometido com a sua profissão, muito sério, era um líder nato dentro de campo e essas qualidades somadas ao seu bom futebol, o levaram a titularidade da zaga do Cruzeiro, mesmo com a pouca idade.

Seu primeiro treinador no clube foi Ênio Andrade e o “veinho” (como era respeitosamente chamado pelos jogadores da época) norteou a vida de Adilson. (ja fala sobre isso)

arq_49278O primeiro título de Adilson com a camisa do Cruzeiro foi o Campeonato Mineiro de 1990 e em 1991 veio… sabe… aquele tipo de conquista que não sai da memória! Pois é! A taça da Supercopa daquele ano foi marcante para o ex-zagueiro: “Os 3 a 0 no River Plate, eu senti o campo tremer, então… foi uma emoção que a gente nunca mais esquece, grupo bom, de um grande time também”. relatou o ex-zagueiro em uma entrevista.

Se 1991 foi mágico, o ano de 1992 foi trágico para Adilson. Na disputa da Recopa Sul-Americana, contra o Colo-Colo no Japão, o zagueiro fraturou a perna direita. Foram dias difíceis de recuperação e superação.

Adilson voltaria aos gramados no dia, 28 de outubro do mesmo ano (1992). Quartas-de-final da Supercopa. No jogo de ida no Mineirão, o Cruzeiro venceu o River por 2 a 0.

Na volta, no estádio Monumental de Nuñez, o time estrelado encarou uma guerra, enfrentou tudo e todos. Jogo arranjado. Na época o clube argentino cobrou das emissoras de TVs brasileiras valores exorbitantes, a intensão era que a partida não fosse transmitida para o Brasil e eles conseguiram.

O jogo foi uma pancadaria descabida e para o arbitro… tudo era normal, mas o Cruzeiro resistiu bravamente as investidas dos hermanos. Aos 35 minutos do segundo tempo, o apitador de latinha chileno, Enrique Marín, expulsou o zagueiro Luizinho, motivo? Demorou a bater um tiro de meta. Jair pereira, técnico do Cruzeiro naquela oportunidade, sacou Betinho e promoveu a volta de  Adilson.

E aí veio a tragédia. Antes mesmo de tocar na bola, Adilson recebeu uma entrada covarde do meia do River, um carrinho criminoso, que fraturou novamente a perna do zagueiro, a mesma do jogo contra o Colo-Colo. Falam que violência da jogada foi tão grande, que mesmo com o barulho da torcida adversária no estádio, deu para escutar o som do osso se quebrando. Adilson deixou o campo aos prantos.

Detalhe, o bandido que quebrou o Batista, um tal de Rubén da Silva, nem cartão amarelo tomou. Foi um jogo dramático, Boiadeiro foi expulso e o pilantra do arbitro arrumou um pênalti para o River aos 45 minutos do segundo tempo e outro aos 47.

Só que não teve jeito. Os times foram para a disputa de penaltis e aí deu Cruzeiro.

Mas voltando ao Batista. Outra recuperação dolorida, sofrida e demorada. Mas ele deu a volta por cima, voltou aos gramados, só que não com a camisa do Cruzeiro. A diretoria achou que era hora do zagueiro deixar o Clube e ele foi para o Internacional em 1993.

5479e887dce2as47655Em 2008 Adilson retornou para sua casa, dessa vez como treinador. Como vários outros jogadores ele é um discípulo e fã do Ênio Andrade e a forma de trabalho que ele adotou, se espelha nos aprendizados que o “veinho” lhe deixou.

O ex-zagueiro é um cara que tem um coração que não cabe no peito. Fazia questão de ajudar os funcionários com salários mais baixos na Toca II, dava cestas básicas e dava uma ajudinha financeira também. Na giria da boleirada era parceiro da turma.

Na era Adilson Batista, o Rival sofreu. Foram 15 jogos disputados, 12 vitórias, 2 empates e apenas uma derrota (time todo reserva)

Conquistou dois Campeonatos Mineiros, 2008/09 e ambos goleando o Atlético pelo placar de 5 a 0.

Quase conquistou a Libertadores de 2009, o título escorreu entre os dedos, mas no mesmo ano, fez uma campanha de recuperação fantástica e o time se classificou para a competição internacional novamente.

A relação do treinador com a imprensa foi bem complicada enquanto ele esteve a frente do clube. Para Adilson, o Cruzeiro merecia um respeito maior por parte de alguns da imprensa. Ele sempre ressaltava em suas coletivas: “ainda nem completamos 100 anos e olha a quantidade de conquistas que já temos”.

Em junho de 2010, Batista decidiu deixar o clube, ele não estava de acordo com algumas divergências internas que aconteciam no clube e lá se foi ele.

Diferentemente da maioria dos treinadores, Adilson Batista não esconde sua paixão pelo Cruzeiro, fala com orgulho que até hoje paga o sócio do futebol e sonha com o dia, que vai voltar a comandar o Gigante de Minas.

Vamos aguardar

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