Alegria de Joãozinho. Renascimento de Yasmin…

Luiz Felipe Scolari, campeão do mundo na Copa da Coreia-Japão, declarou em 2002:
“Jogar bonito é para amistoso ou jogo beneficente. O importante é ganhar”.
Ele anteviu a involução que o futebol brasileiro teria dali para frente – com a diferença que as vitórias minguam ano após ano.

Os jogadores brasileiros jogam cada vez mais feio.
Abusam da força e renunciam à arte que não possuem.
Os estádios do país aplaudem a ruindade.

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yasmin-toquinha-iHoje, conheci a Yasmin Lacerda.
Ela veio do Tocantins.
Tem 23 anos.

Aos 3 anos, a caminho de Brasília, sofreu um acidente gravíssimo.
Na BR-153, um ônibus passou em cima do Opala em que viajava com cinco familiares.

Enquanto os bombeiros abriam o carro retorcido, o choro de um bebê lançou luz naquele cenário de profunda tristeza.

Uma tia-avó segurava Yasmin nos braços.
A bebezinha, milagrosamente, sobreviveu.
Enquanto iniciava uma difícil recuperação, via pela TV um time mexer com ela.

Cruzeiro.
Cinco estrelas.
A camisa azul dominou a América naquele 1997.

Nasceu uma paixão inexplicável, afinal, ninguém de sua família tem ligação com Minas ou é cruzeirense.
Pelo contrário, faziam força para que ela deixasse de ser cruzeirense.

Sem nunca ter ido ao Mineirão, Yasmin se tornou uma cruzeirense fanática em pleno Tocantins, reduto de flamenguistas e corintianos.

yasmin-mineirao-galeraGraças a um punhado de cruzeirenses de bom coração, Yasmin realizou seu sonho.Conheceu o Mineirão.Golaço de Rodrigo Genta, Rafael Brandi, Fabio Militão, Pablito e uma turma de peso que se cotizou para trazê-la a Belo Horizonte (não dá para citar todo mundo aqui).

Viu, no maravilhoso Mineirão, o Cruzeiro arrancar um empate sofrido no clássico com o Atlético.

Emocionou-se com a torcida mais apaixonada do Brasil.
yasmin-mineirao-torcidaA torcida que não abandona o time jamais.
Mesmo em situações tão dramáticas como a atual.

Perguntei a Yasmin qual era seu grande ídolo.
“Joãozinho”.
Mas como pode?
Ela sequer viu o Bailarino dar um chute na bola a não ser em imagens ruins do Youtube.
Mas a culpa é do Joãozinho.

Ele que bateu uma falta irresponsavelmente no lugar de Nelinho em 1976 e deu ao Cruzeiro sua primeira Libertadores.

 

No futebol de hoje, joga-se para não perder.
Os jogadores deste Campeonato Brasileiro são todos praticamente iguais.
Se os times trocarem de camisas, poucos vão perceber alguma mudança.
Chato.

Parecem jogadores de videogame.
Mas com Joãozinho era diferente.
Joãozinho jogava pela audácia.

Foi por causa de caras como Joãozinho que o Cruzeiro se transformou no que é hoje.

Joãozinho não competia nem dava carrinhos.

Joãozinho bailava.
Joãozinho dava risada.
Gracejava na frente de beques virulentos.
Era o exemplo de liberdade plena dentro de campo.

Nas quase 500 partidas que disputou pelo Cruzeiro, o entusiasmo era sua marca registrada.

Entusiasmo, palavra de origem grega, que significa carregar os deuses dentro de si. Joãozinho nos ensinou que ganhar sem encanto é tão ruim quanto perder.

Yasmin traz na sua identidade a relação com o Cruzeiro.
É devota da camisa azul, das cinco estrelas, do hino e de tradições profundas.
Joãozinho é inspiração.
É símbolo de que a irreverência vale a pena.

Que a alegria, tão sumida nos tempos atuais, necessita ser cultivada e incentivada.
Nenhuma depressão é capaz de parar um drible de Joãozinho.

Os dribles do Bailarino são inspiração para o renascimento de uma tocantinense.
O importante não é ganhar.
O essencial é encantar.

Viva Joãozinho!
Viva Yasmin!

PEDRO BLANK

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