A linda história de Yasmin

Yasmin Lacerda, nascida em 1993, Gurupi-TO.

YASMINEm 96, sofri um grave acidente de carro na BR 153 a caminho de Brasília, os bombeiros deram como impossível haver sobreviventes, tinha 5 ocupantes no veículo, ouviram uma criança chorar em meio as ferragens (eu) e quando abriram ainda encontraram minha tia avo que me segurava nos braços na hora que o ônibus passou por cima do carro (opala).

Nesse dia fui fruto de um milagre e tudo na minha vida mudou, as únicas lembranças que tenho da minha infância são todas relacionadas ao esporte, ao Cruzeiro, mesmo que eu tenha ganhado uma segunda vida, desde a primeira eu tenho certeza que não escolheria outro clube, ou melhor ele me escolheu.

Em 97 ainda acidentada, eu ficava em casa apenas vendo TV, chorava se não deixasse eu ver o Cruzeiro jogar (ou o Grêmio eu confundia a camisa pq eu escolhi pela cor e pelo futebol que jogavam naqueles anos 90). Tinha apenas 3 anos e pouco, não tinha noção de nada. Acontece que eu fui crescendo e meu amor só aumentava. As vezes riam e me perguntavam quando jogavam Cruzeiro X Grêmio: e agora vai torcer para quem? Eu dizia que era pra quem ganhasse e sempre que eu tinha a oportunidade de ver o Cruzeiro era o vencedor, acho que eu dizia isso pq já sabia e mesmo quando saía gol do Grêmio eu não comemorava, apenas do Cruzeiro.

Meu pai, como um bom corintiano queria que eu fosse adepta ao time dele, meu tio fanático pelo Flamengo dizia que eu tinha que torcer pro time do Zico, melhor time do mundo, etc… E eu? Pegava raiva desses times porque eu queria ser do contra, queria ser cruzeirense e ninguém entendia de onde tirei, porque eu quis torcer pro Cruzeiro se não tinha ninguém da família, se não tinha amigos, se não morava nem próximo a BH… O lema era o seguinte: SE QUISER CAMISA DO FLAMENGO O TITIO DA, VOU NA GÁVEA TIRAR SUA IDENTIDADE LÁ. ou DO CORINTHIANS O PAPAI DÁ A CAMISA DO CRUZEIRO VOCÊ NÃO VAI TER.

Eu preferia ficar sem camisa nenhuma, pegava caneta e desenhava as 5 estrelas no braço, na perna, escrevia o nome do Cruzeiro e todo mundo ria, mas eu não ligava nenhum pouco. Me sentia estranha na sala de aula porque eu nunca tinha um coleguinha pra defender o Cruzeiro comigo só times do eixo e vez ou outra um gremista.

Faço aniversário no dia da bandeira e sempre quis um bolo de aniversário do Cruzeiro, nunca aceitei nada rosa ou coisinha de princesinha, eu queria sempre uma bola de futebol pra estourar o dedão dando bicuda no muro, gostava de fazer gols e dedicar ao Cruzeiro, fazer defesas e gritar “FAAAAAABIOOOO”…. E minha mãe sempre criticando pq ela queria uma princesinha delicada, ela queria que ninguém me desse nada do Cruzeiro e ainda hoje pede que eu saia dos grupos no wpp e deixe de ser tão fanática com futebol, mas não dá isso veio no meu DNA.

Ganhei minha primeira camisa, falsa, da época da Tenda como patrocinadora e Puma, um motorista (caminhão 🚚) do meu pai fez uma viagem pra ele e trouxe de São Paulo escondido pra mim. Meu olhos se encheu de lágrimas e até hoje é a minha relíquia. Eu fui juntando copos de extrato de tomate, canecas, adesivos, tudo que eu vejo do Cruzeiro até ter uma coleção, não podia ter camisas ainda, a primeira camisa oficial eu me dei de presente ano passado pq arrumei um emprego e comprei na promoção do fim de temporada.

Meu melhor presente de aniversário. Eu conheci um estádio de futebol em 2010, só pude ver o Cruzeiro jogar em 3 ocasiões todas em Goiânia pq achei uma prima postiça que entrou pra família torcedora do Atlético-MG (foi aí que eu soube que era rival do Cruzeiro e entendi um pouco da rivalidade), meu primeiro jogo lá perdeu de 2×0 pro Atlético-GO, no ano seguinte devolveu o placar, nesse jogo comprei uma camisa falsa na porta do estádio por 20 reais deu sorte e passei a vestir apenas ela.

Último jogo que tive a oportunidade de assistir foi o 1×2 contra o Goiás em 2013 que foi o caminho para o tricampeonato. Foi emocionante! Fui uma única vez em BH, não lembro quando, era muito nova, meu pai veio com a gente de SP (caminhoneiro) e tinha uma entrega em Betim no depósito do Ricardo Eletro, pedi tanto pra ir no Mineirão, ver o Cruzeiro em qualquer lugar, ninguém podia me levar tive que entender mas senti orgulho de pisar na região e saber que eu estive ali de qualquer forma, foi o mais perto que cheguei.

Eu tinha que parar de perguntar pra todo mundo se torcia pro Cruzeiro (mas ainda faço isso com todo mineiro que topo por ai) pra mim naquela época todo mineiro deveria ser cruzeirense (nem sabia que existia outro time em Minas). Aí em 2013 criei esse Twitter e procurei em todos os cantos como eu poderia me aproximar da torcida fantástica que eu só via pela TV. E desde então eu uso essa conta pra me aproximar de vocês, pra sentir o Mineirão pertinho de mim, pra conhecer como é estar ali dentro, como é viver em Belo Horizonte e ter tanto em comum com o seu vizinho.

E agradeço por cada cruzeirense que eu topei nessa caminhada, me mostraram ser mais incríveis do que o que eu via ou ouvia pelas narrações do pequetito. Pois é, eu até hoje só acompanho o Cruzeiro pela rádio ou quando a globo transmite os clássicos (pra mim) entre Cruzeiro X Flamengo/Corinthians ou algum jogo em que o Cruzeiro dispute alguma final. Pequetito me fez amar ainda mais aquilo que eu nem sabia ser capaz de aumentar dentro do meu peito, acompanhei aflita o 6×1 ouvindo a narração dele, lembro que no dia eu achei que tava com problemas no sinal da rádio, a cada gol minha mãe achava que eu estava louca dentro de casa.

Só tive condições de assinar premiere em 2014, aí tive que cancelar de novo, mas aí eu fundei o VAIQUETOTEVENDO.COM pra ajudar a unir a torcida, pra de alguma forma ajudar o time (pq em 2013 eu fiz dois textos que o Nilton leu e elogiou e aquilo ajudou eles a se motivar – por isso não abro mão desse @) e como eu ainda não tenho condições financeiras de ir ao Mineirão ou contribuir com sócio, eu contribuo de todas as formas que eu posso daqui tão distante. Mas um dia eu quero realizar meu último sonho desta vida que é poder estar ao lado de cada um de vocês dentro do Mineirão doando minha voz pra empurrar o time a conquistar mais títulos.

Comments

comments

Trackbacks/Pingbacks

  1. #AdoteUmTorcedor | Pacto de União Celeste - 26 de agosto de 2016

    […] Vamos lá, aguardamos a sua doação de uma camisa infantil para os Cruzeirenses do Tocantins. Pois é TOCANTINS. Lá tem muito Cruzeirenses, inclusive a nossa Yasmin é de lá.. […]

Deixe uma resposta